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16.02 Cena Deletada de Insurgente: Tris e Tobias terminam

CENADELETADA

Uma edição comemorativa de INSURGENTE da Target.com trás uma cena exclusiva deletada do livro. A cena mostra uma parte de um dos rascunhos do livro onde Tris e Tobias se separariam e seguiriam caminhos diferentes, Veronica diz que não sentiu que aquilo seria natural e seguiu outros rumos na história. Leia o capítulo traduzido pela nossa equipe:

CENA DELETADA
TRIS E TOBIAS TERMINAM
Em todos os rascunhos de Insurgente, Tris e Tobias terminavam o namoro por um tempo no meio da história, deixando ela muito isolada-muitos de seus amigos ou familiares estão mortos ou se foram nesse ponto e, sem Tobias, ela passa muitas cenas sozinha e tentando achar novos amigos. Eu gostei de ver Tris encontrar um lugar longe dele, e deixar eles irem em direções diferentes, mas recentemente eu percebi que eu estava fazendo eles terminarem porque eu não sabia o que fazer com eles, e isso não parecia certo. Ao invés disso eu escolhi deixar eles começarem a fazer escolhas diferentes e se mover em direções diferentes, mas mantê-los juntos, em conflito, lutando o quanto podiam para manter o relacionamento no meio de tanta desordem. Foi mais interessante para mim e me pareceu como algo que eles realmente fariam. Às vezes é tentador fazer coisas fáceis e familiares com os personagens – uma separação é uma dessas coisas para mim – aquilo era apenas um rascunho, mas isso não significa que seria uma boa decisão para os personagens e para a história, e foi algo que percebi depois.

Retorno para a minha cama mais cedo naquele dia, e Tobias já está acordado. Eu não digo nada e nem ele o faz. Ele levanta e anda até o elevator, e eu o sigo, porque sei que é o que ele quer. Nós ficamos no elevador, lado a lado, em silêncio. Eu escuto um zumbido nos meus ouvidos e culpo minha falta de sono, mas acho que é mais porque tudo está prestes a desabar e eu sei disso.
O elevator alcança o segundo andar e começo a tremer. Começa nas minhas mãos, mas passa pelos meus braços e peito, até que o estremecimento alcança toda parte do meu corpo e não há forma alguma de pará-lo. Fora do elevador está outro símbolo da Franqueza, as balanças desniveladas. Esse símbolo também está riscada no meio da espinha dele.
Ele não me olha por um bom tempo. Se mantém com os braços cruzados e cabeça baixa até que eu não consiga mais aguentar isso, até que eu me sinta como se estivesse prestes a gritar. Eu devo dizer algo, mas não sei o que dizer. Não posso me desculpar, porque apenas contei a verdade e não posso mudar a verdade com uma mentira. Não posso dar desculpas.
— Então você matou Will.
Ouví-lo dizer isso me faz sentir o peso do que fiz. A culpa é mais pesada que o luto, quase mais pesada que o quanto eu posso aguentar.
— Sim – eu digo.
— Todos aqueles pesadelos que você estava tendo… eles eram sobre ele? – sua voz está baixa e sem controle. Eu sei melhor que qualquer coisa que isso é um bom sinal.
Assinto, uma vez.
— A maioria deles.
— E você não me contou.
— Não contei para pessoa alguma.
— Estava aqui pensando que eu não era apenas “alguma pessoa” para você. – ele diz e ri severeamente — Acho que não.
Ele não está gritando, mas está à beira disso, sua voz tremulando enquanto ele tenta mantê-la sob controle. Ele me encara, e esse olhar é uma acusação, mas não sei do que ele está me acusando. De mentir? Esconder coisas dele? De ter matado um dos meus amigos? Não estar apaixonada por ele?
Eu não sei de onde a raiva vem, porque alguns segundos atrás, eu estava apavorada, com medo de perde-lo. Mas meu rosto está borbulhando, quente, e a criatura que estava arranhando minha garganta desde que Will morreu, range seus dentes.
— Me desculpa, tive falta de consideração? – digo. — Que terrível de minha parte não pensar nos seus sentimentos quando meus pais estão ambos mortos e eu não posso dormir sem pesadelos sobre um exército de Audaciosos sem vontade própria e quase me afogar em um vidro e ter atirado na cabeça do meu amigo!
— Nem ao menos finja que estou sendo trivial – ele diz – Você sabe tão bem quanto eu que isso é só o começo das coisas sobre as quais você mentiu pra mim.
— Eu não menti pra você. Eu…
— Você não mentiu para mim? Toda vez que te perguntei o que estava errado você me veio com uma desculpa, cada vez que você se rastejou pra minha cama e fingiu que você estava apenas de luto pelos seus pais, aquilo tudo não foi mentira?
— Eu te conheci há semanas – eu digo brutamente – e não meses. E não anos. Semanas. Eu não tenho que te contar tudo. Tobias?
— Não, você não tem. – ele diz. Toda a raiva esvaindo com sua voz como o ar de um balão que murcha e ele me dá um olhar cansado. — Mas o fato de que você não quis me contar…
— Eu não quis te contar uma coisa – eu digo — Isso não muda nada!
— Você não quis me contar sobre o tanque d’água. – ele diz. – Você nunca quis me contar sobre seus pais. Nós não tivemos uma conversa honesta por semanas, não desde que eu te pressionei para me contar sobre suas paisagens do medo.
Eu não tenho nada a dizer, porque eu sei que ele está certo.
— Estou de luto. – eu digo sem reação – Eu não sei como fazer o que eu nunca fiz antes.
— Você não está me ouvindo? – ele pergunta, me olhando feio – Estou te falando que não tem nada com a morte dos seus pais, ou a morte de Will, ou o ataque. Eu estou falando que você foi assim desde que eu te conheci; você sempre foi assim.
Meus lábios se abrem para liberar uma palavra, mas nada vem.
— Você é impermeável, – ele diz – e eu não posso mais fazer isso.
Não posso fazer isso. Eu tento forçar as palavras para fora da minha mente para que então eu possa entender o que elas significam, mas elas flutuam, longe de ter algum senso ou lógica. Eu ouço o som delas, sinto a forma delas na minha cabeça, mas eu não consigo ver o significado delas.
E então eu consigo.
— Não é sobre mim, – eu digo. Minha voz fica mais alta, se esforçando para ser ouvida, embora estejamos em uma sala vazia. – Não faça parecer que é! É sobre você e sobre como você não consegue aturar que eu não professei meu amor eterno por você depois de semanas de namoro. Isso é sobre suas expectativas sem razão e não sobre mim!
— Talvez seja, – ele diz calmo – Pode me culpar, eu acho, quando você quase morreu por mim, aquilo foi quase um sinal. Um sinal de que você sentia por mim o mesmo que eu sinto por você. E eu contei pra você. Eu fui honesto com você – ele balança a cabeça – e hoje eu descobri que você não segurou a arma não porque não se importava comigo. Você fez isso porque acreditava que era a coisa certa. Você o fez por dever.
— Eu salvei sua vida!
— Sacrifício sem sentimento por trás é um sacrifício vazio – ele diz – Inútil. Sem sentido.
— Você é irracional, – digo – Irracional por querer que eu tenha tantos sentimentos por você depois de tão pouco tempo, e irracional por esperar que eu fizesse coisas certas com intenções perfeitas.
— Você não consegue nem enxergar a si mesma! – Ele pressiona a mão na testa – você está discutindo comigo sobre lógica e sobre o que estou dizendo. Você está nervosa porque não acha que minhas razões fazem sentido. Você não está triste. Não está de coração partido. Ficará bem sem mim.
Sinto como se meu cérebro estivesso preso em um lugar, na minha palavra—impermeável.
— Não posso ficar com alguém que seria a mesma comigo e sem mim – ele diz.
— Mas eu… – minha garganta parece estreita, e tem mil coisas que quero dizer. Eu quero dizer que eu preciso dele, que eu não aguentaria as últimas semanas sem ele. Eu quero dizer que eu acho que vou amar ele, quando o peso do luto e da culpa saírem da minha vida. Mas apenas o encaro, meu coração retumbando contra meus ouvidos, pensando que ele disse que sou impermeável; ele chamou meu sacrifício de sem sentido. Ele acha que sou fria. Como Eric. Como Jeanine. Como um Erudito.
E eu não posso dizer que preciso dele. O pensamento me faz parecer doente, como no dia em que tive que andar até a cafeteria com minha cabeça baixa depois que Peter me atacou.
— Foi o que imaginei – ele diz.
Orgulho é a falha de todo coração da Audácia.
E é a falha do meu.

FONTE | Leia uma cena deletada do livro CONVERGENTE, divulgada ano passado aqui.


Postado por: Anderson Vidal //

Insurgente

COMENTÁRIOS:
  • Caio Silva

    podia ter deixado assim

  • Amanda de Carvalho

    Nãaaao, Tinha que ter essa cena. não acredito que tiraram :'(

  • Ana Luana

    Esse é um dos melhores momentos de insurgente nãoooooooooooooooo acredito que tiraram

  • Annie ☜☮☞

    Hehehe me matem mais to feliz que tiraram :’) kkk Deixa as cenas deprimentes só pro Convergente o filme não é de drama :v

    • Sabe quem sou eu?

      Convergente foi drama pura,mas foi bom.

  • Susan Kelly

    Ah eu não acho q essa cena deveria existir não… Quero eles Juntos…
    Não consigo nem terminar de ler convergente sem chorar de tanto desgosto…

    • Sabe quem sou eu?

      Pois eu acho que o final de convergente está de acordo com todos os outros livros!Todo mundo fala que a Tris não deveria morrer!Eu acho que tudo que ela mais merecia era um sacríficio.Ela teve uma morte digna ao personagem dela.Eu também chorei o mundo no livro,me neguei á morte da Tris,mas depois eu notei que era isso que ela queria…Morrer como os pais…

      • Sabe quem sou eu?

        Gritem comigo se quiserem,me matem,me torturem!mas é isso que penso e não vou mudar minha opinião,credo

  • Sabe quem sou eu?

    De qual facção vocês seriam?(Postem aqui).