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17.02 Extras do Tie-in de Insurgente

EXTRAS

A edição do tie-in de Insurgente está cheia de extras, confira todos eles traduzidos aqui, vamos atualizar enquanto traduzimos as páginas.

Os extras são:

  1. INÍCIO ALTERNATIVO DE INSURGENTE
  2. DISCURSO DA EVELYN PARA OS SEM-FACÇÃO
  3. A REALIDADE DO LUTO

INÍCIO ALTERNATIVO DE INSURGENTE
“Eu criei quatro começos para Insurgente antes de achar o certo. Esse foi provavelmente o meu favorito, que se passa um pouco depois do ataque da simulação, quando Tobias e Tris estão começando a descansar no complexo da Amizade. Depois eu decidi que não queria quebrar a história no meio entre o tempo do fim de Divergente e o ínicio de Insurgente: eu queria que as histórias fossem contínuas, que era como elas se organizavam na minha cabeça, então eu comecei o livro com nossos heróis pulando do trem (um começo bem mais apropriado para eles, eu acho.) Mas tem algo sobre esse começo silencioso que eu ainda gosto, porque parece ser como alguém da Amizade: pacífico, mas com o sentido de ser apenas o olho do tornado e que algo ruim ainda está no caminho.” — Veronica Roth

Acordo com o seu nome na minha boca.
Will.
Tem tantos rostos que eu poderia ver nos meus pesadelos, mas pelas últimas semanas, foi apenas o dele que eu vi. Assisti se chocando contra o asfalto todas as noites. Morto. Meu feito.
Mas não é noite agora. Está no meio da tarde. Ouço os insetos zumbirem nas árvores distantes. Um metal morno toca minhas costas e meus joelhos, a estrutura dos trilhos do trem.
Os trens não estão funcionando desde o ataque da simulação. Eu acho que é um bom sinal. Se os trens estivessem funcionando, poderia significar que alguma ordem o mandou da cidade para vir atrás de nós, e a única ordem que seria possível por agora é o tipo de ordem que viria da Erudição. Enquanto os trens estão parados, suas mentes são deles mesmos. É consolo o suficiente.
À minha direita está as pernas de Tobias cobertas por calças jeans. Ele está deitado com a cabeça no outro lado do trilho, de olhos fechados. Ele usa o cinza da Abnegação, porque não trouxemos nenhuma roupa quando escapamos do complexo da Audácia. Quase não percebo isso, na maior parte do tempo. Essa cor parece certa nele.
Acho que ele está dormindo, mas ele pega meu pulso e se senta, olhando para mim. Suor corre as laterais do seu rosto, fazendo-o brilhar.
— Você está bem? – ele diz.
Eu me sento também, massageando meu pescoço.
— Sim, por quê? – eu soo defensiva. Ela vai descobrir que estou escondendo algo.
Ou talvez ele se acostumou a ouvir minhas voz nesse tom e não vai perceber. Eu minto pra ele o tempo todo, agora.
— Você chorou – ele diz – você estava gritando enquanto dormia, Tris, você não está bem.
Ambos meus pais estão mortos, eu matei um dos meus melhores amigos, e Tobias, uma das únicas pessoas que me restou, quase não me tocou desde que ele me contou que me ama e eu não retribuí. Se existe uma forma de se estar bem, não é assim.
— Estou bem – digo – ok?
Ele assente, e solta meu pulso.
— Nós vamos ter que voltar daqui a pouco – ele diz, se levantando. Ele limpa seu rosto com a manga da camisa. consigo ver uma ponta das chamas da Audácia tatuadas na sua pele, em baixo da sua caixa toráxica. Ele pode usar as roupas da Abnegação agora, mas ele sempre será da Audácia, está escrito em sua pele, assim como está escrito na minha.
Nós passamos horas sem conversar.
Olho em volta e vejo o horizonte. Os prédios estão cobertos por uma neblina de tão distantes que estão, mas ainda posso ver as duas torres do Eixo perfurando o céu. Eu sinto algo parecido com tristeza, talvez, ou saudades no meu estômago. Eu quero voltar. Eu tenho que voltar.
— Não vou conseguir suportar isso por muito mais tempo – digo.
— Nem eu.
Eu sei disso. Nós fomos construídos para a guerra. As piores coisas são que, por mais forte que sejamos, estamos nos escondendo na paz do complexo da Amizade. Somos os dois fracos. Inúteis.
Ele me oferece a mão
— Vamos. Hora de ir.
Coloco uma mão no trilho e seguro a mão dele com a outra. Mas antes que eu deixe ele me puxar, eu pauso, suspirando. O trilho zumbe sob minha mão. Seguro-o firmemente, meus lábios estão mexendo clamando por palavras que desconheço. Por favor, é tudo o que posso pensar. Não sei para quem estou implorando, ou o que eu estou implorando à eles.
Trens significariam ordens. Ordens significariam Erudição. Talvez eu esteja pedindo pelo caos.
E então eu fico de joelhos, e aproximo meu ouvido ao trilho, estreitando os olhos. Eu ouço um rugido baixo no metal, como uma fera acordando da hibernação. É evidente.
Os trens voltaram a funcionar.


DISCURSO DA EVELYN PARA OS SEM-FACÇÃO 

UNIÃO DOS SEM-FACÇÃO, CINCO ANOS ANTES DOS EVENTOS DE DIVERGENTE
“Bem-vindos, sejam todos bem vindos.”
“Devo pedir que olhem em volta de vocês. Não, eu ordeno – vá em frente e olhe.”
“À sua esquerda está alguém que a Erudição chamaria de aberração. À sua direita está alguém que a Abnegação chamaria de um caso de caridade. Atrás de você está alguém que alguém da Amizade olharia com pena. E à sua frente está alguém que a Franqueza ou a Audácia ignoraria completamente.”
“À sua volta estão as pessoas que não conseguiram passar na iniciação de uma facção, não conseguiu se tornar o membro de uma facção – pessoas que falharam, de uma forma ou de outra, que não alcançaram as expectativas da sociedade. Esta sala está cheia de fracassos.”
“Certo? Não é isso que nós ouvimos?”
“Eles nos falam, nessa cidade, que aqueles que vivem do lado de fora, longe das facções, são mais fracos que os que vivem aqui dentro. Eles nos falam que nossa sociedade é uma máquina que funciona perfeitamente desde que todos participem. Eles nos falam que o sistema nos fará desenvolver pessoas moralmente superiores, para se tornar quem precisamos ser. E eles também nos falam – o mais absurdo de todos – que nos deram uma escolha.”
“Estou aqui hoje para contar para vocês que eles são todos mentirosos. Que eles estiveram mentindo para vocês por toda sua vida. Se você é fraco, por que essa cidade te usa como suporte principal? Por que ela depende de você para dirigir os trens e ônibus, para manter as faciLIdades e equipamentos, para criar essa fábrica – a fábrica literal – da sua existência? Se você é um fracasso, como dizem, por que esse sistema depende do seu fracasso para funcionar? Um sistema que não consegue se manter sem a exclusão de alguns de seus membros não está funcionando; é quebrado.”
“Está quebrado. E a ilusão da escolha que isso nos oferece é escolha nenhuma. Escolher uma facção é como escolher a morte por uma faca, arma, ou enforcamento – o resultado é o mesmo, não importa o método que você usa.”
“Mas nesse caso, o resultado não é a morte corporal; é a morte da alma – morte da riqueza e complexidade de cada um, dos detalhes que fazem valer a pena uma pessoa ser amada, que fazem valer a pena ser. Quando te falam para escolher uma facção, falam para você desaparecer, parte por parte, até que sobre apenas a sua sombra. A sua sombra fica no seu lugar. A sombra pode ter usado suas roupas e dado um beijo de adeus na sua esposa e feito o trabalho pelo qual você se inscreveu, mas não é você; nunca poderia ser você.”
“Quando olham para você, podem ver alguém que desapareceu, mas é uma mentira. Deixe-me contar a verdade: vocês são os que foram impedidos de desaparecer. Vocês são os que foram corajosos, honestos, bondosos, altruístas e inteligentes e mais que tudo isso, mais que palavras podem descrever.”
“E as pessoas que mantém essa máquina patética funcionando sabem disso. De alguma forma eles sabem que vocês são de longe melhores, maiores, mais poderosos do que se possa imaginar. É por isso que eles te deixam famintos. Te deixam sem casa e sem roupas limpas e sem representação no governo. Eles querem que você fique quieto, e fraco, e desesperado. Já que não podem te controlar com o sistema, podem te controlar com uma distração. Eles querem que você esteja distraído pensando na sua próxima refeição que você não pode nem pensar no que está sendo preparado pra você. Querem que sinta que você é completamente sozinho.”
“Mas vocês não são fracassos, e não estão sozinhos. Esses que estão juntos de você aqui nessa sala não são seus companheiros de facção – eles são seus irmãos e irmãs, seus amigos mais queridos, seus companheiros de tropa. Nos deixem ser uma união, juntos, e não nos compromissemos por ideias vazias, por uma existência pequena, mas pela nossa sede de uma vida melhor.”
“É hora de lutar. Se você está desesperado, que seja pelo fim desse sistema falho, não importa o que custe. Se você está com fome, que seja pela liberdade das facções. E se você está silencioso, que seja apenas por um momento enquanto nós retomamos o fôlego para dar nosso grito de guerra.”


 A REALIDADE DO LUTO

– Após o lançamento de Divergente, eu li um comentário de um leitor expressando sua insatisfação com o final do livro. O leitor era mais velho, alguém que havia perdido sua mãe e sentiu que a Tris sentiu muito pouco a morte de seus pais, ela se recuperou muito rápido depois do trauma. Meu sentimento foi de que a adrenalina da Tris a carregou até o fim do livro, que a dor da perda a atingiria no futuro, mas é óbvio que este leitor não poderia adivinhar isto(e, discutivelmente, não deveria ter que ler as continuações para prever o que aconteceria no primeiro).

– Ver a reação pessoal desse leitor me deu determinação para fazer algumas mudanças no rascunho de Insurgente. Eu não havia perdido ninguém próximo a mim, certamente ninguém como minha mãe, e não havia pensado que precisaria de mais do que alguns pesadelos e choros para capturar o luto da Tris. Não estava pensando, no começo do rascunho da sequência, na perda da Tris como real, ou como algo que deveria ser real, mesmo num contexto futurístico.

– O senso comum dos escritores é de “escrever o que você sabe”, mas então somos levados a pensar: “O que acontece quando seu personagem passa por algo que você não conhece? O que acontece quando sua inexperiência começa a aparecer?” A resposta é a pesquisa. Muita pesquisa, e diferentes tipos de pesquisa. Você não precisa perder alguém para escrever sobre luto, mas você precisa tratar do assunto com carinho, fazer jus às reais experiências que as pessoas têm(particularmente se elas forem suas leitoras).

– Eu comecei a pesquisar consultando minha própria mãe. Minha avó se foi antes de eu nascer, o que significa que minha mãe sabe o que é perder uma mãe. Eu perguntei como ela se sentiu nos meses após o acontecido e ela me deu uma descrição memorável – de que mesmo quando ela não estava pensando diretamente sobre aquilo, ela sentia como se tivesse um caroço em sua garganta, que ela não conseguia engolir. Foi como se a dor tivesse tomado uma forma física e se instalado dentro dela, presente mesmo quando ela tentava se distrair.

– Eu estava intrigada pela ideia do luto se tornando material, se tornando uma força que você não consegue controlar ou entender. Mas eu queria saber mais, então perguntei a um grupo de amigos escritores, também, e eles me deram algumas ideias: Que o luto pode tornar alguém selvagem, tornando-o impulsivo, com um comportamento autodestrutivo, que algumas coisas podem acionar emoções fortes.

– Eu também pesquisei sobre estresse pós-traumático, afinal a perda violenta dos dois pais certamente se qualifica como um trauma, e não é um pequeno. Fiz anotações sobre a culpa dos sobreviventes, revivendo momentos nos sonhos e nas memórias, explosões nervosas, a vontade de evitar qualquer coisa associada ao evento traumático, e várias outras coisas que pude achar que se aplicasse à situação da Tris. Eu li artigos especificamente sobre o estresse pós-traumático, pois ele está relacionado aos soldados e as perdas da Tris ocorreram em um tipo de batalha e não foram limitadas a apenas perder seus pais – ela também, em pânico, atirou em seu amigo (Will) e o matou enquanto ele estava impossibilitado de parar a si mesmo, e isso precisava ser incorporado na psicologia de Insurgente também.

– Eventualmente, estava com muitas observações, mas não tomava as decisões. Sabia que a Tris não precisava ter todos os sintomas – isto seria demais – e que, já que ela estava seguindo em frente numa situação caótica, as manifestações de seu luto poderiam fazer mais sentido se fossem mais peculiares, e se ela não estivesse muito consciente delas. Ela não foi capaz de processar tudo.

– Eu estava determinada a intervir no luto e na culpa da Tris, já que ambos pareciam interligados – seus pais haviam morrido por ela, afinal, o que significa que ela se sentia responsável, e ela foi quem atirou no Will, mesmo que tenha sido para salvar sua própria vida. Decidi por dois elementos específicos para trabalhar: A Tris não conseguiria encostar em armas sem lembrar do ataque (isso incorporaria tanto a lembrança do acontecido quanto a necessidade de se evitar coisas relacionadas a ele), e ela se tornaria ainda mais impulsiva. A inabilidade de encostar em armas pareceu mais focada na culpa, já que estava relacionada com as ações dela com o Will, e o comportamento autodestrutivo estava mais focado no luto, pois mostrava que ela tentava encontrar seus pais novamente. Ocasionalmente, os dois comportamentos se uniriam.

– A Tris também sofre com pesadelos, raiva e outros sinais mais comuns do luto (períodos de fortes emoções, períodos de monotonia, etc), mas esses são menores e poderiam ser colocados no texto sem muita dificuldade. Descobrir como mantê-la viva até o final do livro sem encostar em armas foi mais difícil! A intervenção do Tobias se tornou crucial, já que ele estava determinado a protegê-la, mas eu não queria forçar muito a corda do “namorado que salva o dia”. Eu queria que a Tris fosse ativa, para continuar sendo útil com sua mente e seus instintos, mesmo se não fosse muito útil numa luta.

– Finalmente, as respostas vieram das limitações que eu mesma havia me dado. No que a Tris seria útil, se não na violência? A o que ela poderia se comprometer, se não a superar a Erudição e os traidores da Audácia com um ataque? O que, em meio a toda a dor e culpa, ela poderia descobrir que valesse a pena?

– Em Insurgente, eu deixei que ela viajasse o quanto quisesse pelos caminhos obscuros do luto e da culpa. Deixei que ela ficasse com raiva, em negação, autodestrutiva e teimosa. Deixei que ela fosse ingênua e confusa. Isso tudo resultou em uma Tris menos simpática do que a de Divergente, mas eu amei a realidade das emoções dela, sabia que ela sairia do labirinto da escuridão viva e mudada, então eu estava determinada a seguir em frente, embora não estivesse certo do que estava no outro lado.

– Acabou que no outro lado estava a determinação para viver. Para reclamar sua vida e não deixar que ela fosse em vão. Para perseguir a verdade sobre seu mundo e trazê-la à luz, mesmo que isso significasse trabalhar com Marcus Eaton. E para fazer tudo isso, para ter tudo isso, com o mínimo de violência possível. O que estava no outro lado do período mais escuro do luto era uma Tris diferente da que eu havia imaginado antes – uma muito mais forte.

Os demais extras serão colocados aqui assim que forem disponibilizados na internet!


Postado por: Anderson Vidal //

Insurgente

COMENTÁRIOS:
  • Ana Luana

    Saudades de ler esses maravilhosos livros!!!

    • Ester Grabe

      S, eu já li 7 vezes, só q eu to “economizando” p leer na semana anterior foi filme! Rs <4

      • Ana Luana

        Eu nem sei o que te dizer. DE TODOS OS MEUS 14 ANOS DE LEITURA, NUNCA LI ALGO TÃO VICIANTE E MARAVILHOSO COMO ESSES LIVROS.

        • Sabe quem sou eu?

          Cara vc comenta aonde vai?caralho…

          • Ana Luana

            Desculpa… mas aki é pra comentar ta???

          • Sabe quem sou eu?

            Desculpess…postei isso quando era bebe…hoje,sai comentário meu pra tudo quanto é canto…

  • Gabriele_Neto

    Uooou 🙂 que máximo

  • David FeRr

    Cara, massa, mesmo. As pessoas tem as vezes um amor da sua vida. Eu tenho a trilogia da minha vida <3

  • Sabe quem sou eu?

    Eu consegui perder meus livros 🙁 mas agora eu tenho outros 😉